Depois de ler alguns artigos postados por um pastor opositor do sábado bíblico, o dia do Senhor, resolvi formular o seguinte diálogo fictício entre um adepto do “diaqualquerismo”, “dianenhunismo” e “tododiaísmo” e o apóstolo Paulo. Ressaltando que qualquer semelhança com os personagens e a situação abaixo é mera coincidência (ou não, você escolhe), e nada tem a ver com alguma pessoa sincera (ou não tão sincera) que esteja enganada em relação ao dia de adoração criado, abençoado e santificado por Deus (Gn. 2:3): o sábado.
Caio Semblante Zeloso: Querido irmão Paulo, talvez o senhor tenha conhecimento de uma seita herética que se instalou no cristianismo, querendo trazer de volta aquilo Cristo aboliu com sua morte na cruz, eles se denominam: Adventistas do Sétimo Dia.
Apóstolo Paulo: A graça do Senhor Jesus seja contigo amado irmão. Primeiramente gostaria de saber por que você acusa veementemente os adventistas de serem participantes de uma seita? Não se esqueça que eu também fui acusado de ser adepto de uma seita (At. 24:14), mas nem por isso eu estava errado. Estava?
Caio Semblante Zeloso: Claro que não estava irmão Paulo. Só que com os ASD (adventistas do sétimo dia) é diferente. Eles insistem em dizer que é necessário para nós cristãos em pleno século 21, que vivemos pela graça e sob as instruções do Novo Testamento, observemos um dia específico para a adoração a Deus.
Apóstolo Paulo: Ora, mas isto está correto. O sábado ainda é válido hoje.
Caio Semblante Zeloso: Como assim está correto? Como assim válido? O próprio Senhor Jesus nunca ensinou a seus discípulos a guardarem o sétimo dia (Mt. 12:1-14).
Apóstolo Paulo: Desculpe amado irmão, mas Cristo não transgrediu o sábado. Ele estava demonstrando a maneira correta de observá-lo. Talvez você não saiba, mas para o povo judeu existiam mais de 1.521 proibições rabínicas em relação ao sábado. Por Exemplo: no Talmude (Shabbat 23) um homem não podia se olhar no espelho no dia de sábado para não ser tentado a cortar o cabelo e assim, de acordo com a tradição judaica, transgredir o sábado divino. Ao permitir que seus discípulos colhessem espigas no sábado, Cristo estava refutando as acusações dos fariseus, de que segundo a tradição judaica (Mishnah Shabbat 7:2), o segar, debulhar, joeirar e o preparo de uma refeição em dia de sábado era considerado pecado. Jesus com toda a sua autoridade demonstrou a verdadeira observância do sábado. Quando Ele declarou “Aqui está quem é maior que o templo” (Mt. 12:6), Cristo esclareceu definitivamente que o templo juntamente com todo o cerimonialismo que o acompanhava, eram apenas sombras que se convergiam para Ele mesmo (cf. Jo. 1:29; Hb 8:5). Quando afirmou “o Filho do homem é Senhor do sábado” (Mt. 12:8), Ele confirmou a si mesmo como Criador (Gn. 2:2, 3; cf. Jo. 1:1-3) e Legislador do sábado (At. 7:38). Sendo assim, não havia ninguém melhor do que Cristo, para retirar do sábado todo o fardo imposto pelas tradições judaicas depois do exílio. Deixando que os discípulos colhessem espigas no dia de sábado, Jesus estava definitivamente discordando das tradições dos judeus, e por isso eles começaram a conspirar contra a vida do Filho de Deus (Mt. 12:14).
CSZ: Mas apóstolo, a lei e os profetas não duraram somente até João Batista (Lc. 16:16)? Sem falar que, com a manifestação do Verbo de Deus, além do ministério profético veterotestamentário, a lei mosaica deixou de vigorar. Ele inaugurou um novo tempo! A graça e a verdade vieram por Jesus Cristo (Jo. 1:17; Rm. 10:4).
Apóstolo Paulo: Mas uma vez irmão Caio Semblante o senhor está equivocado. E afinal, por que o irmão não leu o verso 17 de Lucas 16? Será porque Cristo afirma que “é mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til sequer da Lei.”? Ou seja, enquanto existir os céus e a terra, a lei ainda estará em vigor e nada poderá ser alterado. E não me venha com esta história de “lei mosaica”, já que esta lei (dez mandamentos) foi promulgada e escrita pelo próprio Deus (Êx. 31:18). E eu mesmo confirmei em meus escritos a importância e a santidade desta lei (Rm. 7:12). Além do que, é através da lei de Deus que eu sei o que é pecado (Rm. 3:20; 7:7). Como ponto de partida para a boa compreensão deste texto (Lc. 16:16), é necessário saber que as palavras “duraram”, “vigoraram” ou “existiram”, que aparecem em algumas versões não se encontraram no original. Um destes sinônimos foi introduzido como um acréscimo ou recurso usado pelo tradutor para complementação do sentido. Observe bem que na tradução de Almeida Revista e Corrigida “duraram” aparece em negrito, como prova de que não se encontra no grego. Para uma adequada compreensão do seu sentido a passagem paralela de Mateus 11:13 deve ser colocada ao lado desta, porque diz a mesma coisa, mas com muito mais clareza. “Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João”. Mateus nos esclarece de que Lucas jamais pretendeu declarar que a lei e os profetas terminaram nos dias de João, mas simplesmente afirma que eles profetizaram até aquele tempo a respeito de Cristo. A Bíblia está repleta de provas de que a lei e os profetas continuaram depois de João (At.2:17, 18; 19:6; 21:9, 10; I Cor. 14:29, 32). Logo, quis o Mestre dizer que até João Batista todas as Escrituras dos profetas, referentes à Sua primeira vinda contidas nos livros do Antigo Testamento, com o Seu advento, batismo e ministério, enfim as profecias referentes à Sua vinda encontraram cumprimento in-loco. Até João Batista, a lei e os profetas (escritos do Antigo Testamento) indicavam, através da palavra escrita, dos símbolos e do sistema sacrifical (sombras de Jesus), o tempo em que o reino de Deus seria anunciado, e, de fato, com a pregação do reino, novo tempo raiava. O próprio João Batista afirmava: “… arrependei-vos porque é chegado o Reino dos Céus…” (Mt. 3:2). Permita-me corrigir-lhe em algo mais. Quando o senhor fala que “a graça a verdade vieram por Jesus Cristo”, talvez desconheça que mesmo antes de Cristo vir a este mundo como homem-Deus, a graça já existia nos tempos do antigo testamento, como afirma o salmista Davi nos Salmos 6:4, 13:5, 40:10-11, 62:12, 63:3, 66:20 entre outros. Por isso querido irmão, muito cuidado quando for usar um texto fora do contexto, pois isso pode se transformar em pretexto para as suas falsas concepções.
CSZ: [tenso] Desculpe-me irmão Paulo, mas eu tenho que ir, preciso analisar mais uma canção gospel do ponto de vista bíblico escatológico elucidativo contemporâneo.
Apóstolo Paulo: Que a graça do nosso Senhor Jesus lhe acompanhe e o faça meditar na Palavra de Deus “Desvenda os meus olhos, para que contemple as maravilhas da tua lei.” (Sl. 119:18). E não se esqueça qual é o quarto mandamento desta lei.
Continua...
... Se Deus permitir e o Caio Semblante Zeloso voltar.
Material usado como base nas argumentações:
1) A Bíblia Sagrada;
2) O sábado na Bíblia: por que Deus faz questão de um dia/Alberto R. Timm, CPB; e

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